quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sobre o velho assunto

E na falta de um amor
Eles se usam pra encobrir um vazio que não suportam sozinhos
Carinhos de uma noite só
Porque pelo menos esta noite
A gente vai se comer e se alimentar
Não vou lembrar do oco fazendo eco
Não vou lembrar das mentiras que me contaram
Essa noite teremos um ensaio sobre o amor
E mentiremos honestamente um ao outro e a nós
Depois comemoraremos nossa felicidade aparente de um amor ensaiado
Porque esta noite não estaremos sós
Pra lembrar do que não faz sentido
Pra sentir o não que faz lembrar

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

o meu amor trocando
de nome
sendo a janela por onde se olha

com um
vago olhar sobre
músculos cardíacos
vagantes
bombeando sangue

cinco litros por
minuto e
fazendo isso só é
só isso que um
músculo cardíaco
faz

sábado, 1 de dezembro de 2012

à moda de príncipe encantado:
fechou o zíper e foi

roupa luminosa
só pra abafar

ainda vem o
final da coisa toda
feliz e pra sempre

depois de dormir em
berço esplêndido

chinelos virados pra cima
e retificados
pra mãe não morrer

sábado, 24 de novembro de 2012

cara de
ressaca hormonal
ouvia:
paixão é dor que dói
só por doer

mas tinha num sonho um avental
florido cobrindo o quadril florido
da amada que pisava
sobre um tapete florido
dentro da casa florida
num futuro bem próximo
todo coberto de flores

e a escolha foi simples como
uma simples flor

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

um rato dorme no
sapato da entrada da casa

contrato nosso:

desde quando o homem criou
sapatos

desde quando o primeiro homem
achou legal tirar seus únicos sapatos

e que os ratos adormeceram: um
olho aberto e o outro fechado

o descanso de abrir
os dois
como suposição quase
certa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

fim sem
chave de ouro e
ponto final: a lagarta
continua lagarta

borboleta é coisa de outro mundo

não dá tempo pra mexer
trocentas pernas
nestes centímetros
bem parecidos com
os próximos e
com os outros a seguir.


por escrever sem ver
o coração vivo da letra:

só peço que o lápis ainda não
tenha perdido a ponta.

domingo, 14 de outubro de 2012

por causa da falta que
faz o
descontato íntimo

: a cara que depois
de lavada
encolheu

eu no meu ponto do
mapa ele também
no meu ponto do mapa eu
no ponto do mapa dele
o ponto ocupando todo mapa

sem espaço pros pulmões fazerem
aquilo que os pulmões fazem