sábado, 24 de novembro de 2012

cara de
ressaca hormonal
ouvia:
paixão é dor que dói
só por doer

mas tinha num sonho um avental
florido cobrindo o quadril florido
da amada que pisava
sobre um tapete florido
dentro da casa florida
num futuro bem próximo
todo coberto de flores

e a escolha foi simples como
uma simples flor

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

um rato dorme no
sapato da entrada da casa

contrato nosso:

desde quando o homem criou
sapatos

desde quando o primeiro homem
achou legal tirar seus únicos sapatos

e que os ratos adormeceram: um
olho aberto e o outro fechado

o descanso de abrir
os dois
como suposição quase
certa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

fim sem
chave de ouro e
ponto final: a lagarta
continua lagarta

borboleta é coisa de outro mundo

não dá tempo pra mexer
trocentas pernas
nestes centímetros
bem parecidos com
os próximos e
com os outros a seguir.


por escrever sem ver
o coração vivo da letra:

só peço que o lápis ainda não
tenha perdido a ponta.

domingo, 14 de outubro de 2012

por causa da falta que
faz o
descontato íntimo

: a cara que depois
de lavada
encolheu

eu no meu ponto do
mapa ele também
no meu ponto do mapa eu
no ponto do mapa dele
o ponto ocupando todo mapa

sem espaço pros pulmões fazerem
aquilo que os pulmões fazem

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ão, ão, ão.

Quem me dera um poemão
Com rima de montão
Ele serião grandão
Preto como um grão
Sim, de feijão.

Ah, quem dera um poemão
Em português, francês ou alemão
Essa não é a questão
Eu só o queria rebelde, com um tipo de infração
Eu postaria aqui em primeira mão.

Como seria maravilhoso um poemão
mas no seu universo ele seria vão
Tão cheio de depressão
Preso como na camisa um botão
Pobre do seu universozinho...

Verdadeiros amigos.

Híspidas questões emolduram te o semblante por conspurcações sicofantas de um biltre?
O quão apedeuta e poltrão és tu?
O que importa são os verdadeiros amigos, e estes falam na lata.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sem nada, sem entrelinhas

Da pretensa poesia vem um bafo.
Ela desaba no desabafo
Um ego querendo ajuda
Cego e de poesia muda.
Tudo tão escancarado
Sem nada, sem entrelinhas
Paranóias em caractéres escarrados
Fique com as suas, eu já tenho as minhas
Sem noção, ritmo e rima rica
Deixa a pobre poesia . A gente se vai, ela fica